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Beyoncé e a "celeuma tecnológica"

Uma pausa nos blocos que congestionam as ruas do Rio, afinal já é carnaval do país do carnaval. A pausa, explico, foi para conferir o show da Beyoncé. Um presente de formatura que resolvi dar para minha irmã (lembra que contei aqui que ela se formou?). Show pop. Digo, “Pop”, com letra maiúscula. E com tudo mais maiúsculo que se tem direito, referindo-se a uma das quatro ou cinco vozes pop’s mais influentes da música internacional hoje (hoje, veja bem, porque amanhã tudo pode mudar).

Depois de ver algumas centenas de shows a trabalho, quando se vai a lazer a sensação é de que, se não for com a mesma estrutura e conforto mínimos e necessários, não dá, melhor ver por DVD. Lá fomos nós. Pois Beyoncé passou pelos nossos narizes por duas horas, rebolou, eu diria até, quase que exclusivamente para a gente, suou e respingou salivas sobre o palco que batia um pouco abaixo de nossos peitos. Eu me arrisco a dizer, perdoem o exagero, que ela me encarou diversas vezes por notar que eu não sabia praticamente nenhuma letra, enquanto minha irmã se esgoelava em cantar tudinho. Ok, ok, compensei a falta de cantoria com aplausos efusivos. ‘Bey’ (a aproximação nos tornou íntimos) parece que gostou.

Na segunda parte do show, ela resolveu se apresentar também para os outros milhares que ali estavam. E seguiu por um corredor até o meio da arena, lotadaça, claro. Daí pude vê-la mais distante, tão rebolativa quanto aqui à minha frente e um tanto mais iluminada. A moça dança!

E enquanto ela dança, nos fazendo jurar que no lugar de quadris tem molas que a projetam para lados desiguais num ritmo frenético, vejo centenas de milhares de luzinhas acesas pela arena. São câmeras digitais, me arrisco até a dizer que a maioria é de celular.

Ali da frente do palco, esperando ‘Bey’ voltar pra seu lugar que é de direito, à minha frente, desconfio dos gritos e pulos dos que estão atrás de mim. Será mesmo que estão todos percebendo o show? Digo isso, porque estão todos vidrados em suas câmeras, vendo pela telinha apertada de suas digitais o que se passa na realidade, a alguns metros de seus zoon’s ópticos.

Todo mundo quer registrar os momentos de um show. Para quê, eu não sei. Você vê em casa, na tela do seu computador ou do seu celular, um vídeo tremido e escuro, quase sem áudio? Duvido. Ninguém vê. No final das contas, ninguém viu o show ao vivo e ninguém vê depois o que se filmou (e se vir, não é a mesma coisa do que poderia ter sido, se curtisse o ‘ao vivo’, concorda?!).

Bem, passado esse rápido questionamento ‘pop’, fiz um sinal e chamei Beyoncé de volta aqui para a beirinha do palco, onde eu a aguardava. Preciso confessar, eu não resisti a essa celeuma tecnológica que se abate nos espectadores de shows, e também fiz um videozinho rápido, mas bem rápido mesmo. 'Bey' podia não gostar de, além de não saber suas letras, eu não lhe dar devida atenção. Aí seria exigir muito da sua simpatia.


08/02/2010 Publicada por Moratelli


Concordo, Valmir. Ter um 'algo mais' é a grande busca de todo artista de verdade e a Beyoncé é um belíssimo exemplo; mas nem todos conseguem esse feito. Tem muitos "artistas"-"fenômenos" por aí, que são "fabricados" pela "indústria", com pouco ou nenhum talento, cuja arma pra chamar a atenção são todo tipo de "subterfúgio visual" e muitos caem na cilada; não só o público, mas tbém a mídia, que dá toda a cobertura possível. Verdadeiras farsas estão aí, beliscado gordas fatias do bolo do showbiz, apresentando "mais do mesmo", né não?

09/02/2010 18:01 Kátia Rocha http://katiarochags.blogspot.com/

Que privilégio, heim, Valmir? Eu adoro a Beyoncé! (E adorei a intimidade do "Bey"! hahahahahah!!!!) Ela é uma artista completa: canta demais, dança demais e ainda representa (só não sei se é "demais" pque não vi nenhum dos filmes que já fez)! Tbém não sei se ela compõe, pque aí sim, seria completa mesmo! Mas com aquela sua incrível voz amanteigada e aquela beleza estonteante toda, nem precisa, vai! Beyoncé é o cara! Não é à toa que hoje ela é realmente uma das 4 ou 5 artistas mais influentes do mundo, embora seja tbém verdade que amanhã tudo pode mudar, conforme vc falou. Só que ninguém pode negar que o "hoje" da Beyoncé é bem mais longo que o "hoje" de outros artistas tão feras quanto ela. Qual a diferença, então? Sorte na escolha do repertório que agrada uma multidão de fãs? Marketeiros mais competentes? Super exposição à mídia? Carisma pessoal? Sei não, mas acho que é isso tudo junto.

09/02/2010 12:14 Kátia Rocha http://katiarochags.blogspot.com/
Resposta:
Penso que é uma junção de vários fatores, Katia. Sorte no repertório, marketeiros/ agentes/empresários competentes, saber dosar a exposição na mídia/ carisma pessoal. E uma infinidade de outras coisas. Ah, o essencial, eu acho, é mostrar o que ninguém mais tem, o diferencial. Não é fácil, né :P

você tem razao quando questiona as pessoas que perdem um show ao vivo, gravando cenas que depois são sempre precarias. Quem sabe o prazer está em registrar o que de fato é proibido... taí algo a se pensar.rs

08/02/2010 17:49 josemauros josemauros@hotmail.com http://josemauros2.nafoto.net/
Resposta:
Cenas que serão sempre precárias e parciais, nada como o 'agora', o real.

Quando foi ver Evanescence com minha filha, me decepcionei, não vi nada, da arquibancada não dá para ver nada, e me enfiar no meio do povão, do empurra empurra, eu hein! melhor mesmo ver pelo DVD, sem contar que tem os extras, entrevistas, makeing of e tal... Abraço e sucesso.

08/02/2010 10:13 Pastorelli
Resposta:
Tem shows que você tem razão, melhor ver de casa, pela TV. Mas há casos e casos.

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